Você compra uma roupa bonita, veste algumas vezes e, depois de poucas lavagens, percebe que alguma coisa mudou.
A camiseta perdeu a forma.
O preto ficou desbotado.
O tecido parece mais áspero.
A blusa encolheu.
O elástico perdeu a firmeza.
A gola ficou torta.
Aquele jeans que vestia perfeitamente começou a parecer diferente.
E muitas vezes a primeira reação é pensar que a roupa não tinha qualidade.
Às vezes, realmente pode ser um problema da peça.
Mas também existe outra possibilidade: a maneira como ela foi lavada pode ter contribuído para o desgaste.
Lavar roupa parece uma tarefa simples. Colocar tudo na máquina, adicionar sabão, escolher um ciclo e esperar.
Só que tecidos diferentes respondem de maneiras diferentes à água, ao calor, à fricção, aos produtos de limpeza e à centrifugação.
Por isso, cuidar bem das roupas não significa apenas deixá-las limpas.
Significa também tentar preservar a estrutura, a cor, o caimento e as características do tecido pelo maior tempo possível.
E isso tem tudo a ver com o conceito do Trama Atemporal.
Quando uma roupa dura mais e continua sendo usada, você não precisa substituí-la tão rapidamente.
Você economiza dinheiro.
Reduz compras desnecessárias.
Aproveita melhor aquilo que já possui.
E começa a construir uma relação mais consciente com o próprio guarda-roupa.
O Inmetro determina que produtos têxteis comercializados no Brasil tragam informações de composição e cuidados para conservação, incluindo orientações relacionadas a lavagem, alvejamento, secagem, passadoria e cuidado profissional.
A etiqueta, portanto, não está ali apenas para informar o tamanho ou a composição da peça.
Ela também funciona como um pequeno manual de cuidados.
O problema é que muita gente simplesmente corta a etiqueta e joga a roupa na máquina.
Neste artigo, vamos mudar isso.
Por que lavar corretamente pode fazer tanta diferença?
Toda lavagem envolve algum nível de desgaste.
A roupa entra em contato com água, detergente ou sabão, movimento mecânico e, dependendo do processo, calor.
Quanto mais agressivo for o processo em relação àquela peça, maior pode ser o desgaste.
Isso não significa que você precisa tratar cada camiseta como uma relíquia.
Significa apenas que vale entender que limpeza e conservação precisam andar juntas.
Uma roupa não precisa sair da máquina parecendo nova.
Ela precisa sair limpa sem ser submetida, desnecessariamente, a condições que podem prejudicar suas características.
E existe uma diferença enorme entre lavar uma camiseta de algodão resistente e lavar uma peça delicada com renda, bordados, elastano ou estrutura mais sensível.
O primeiro passo: leia a etiqueta
Antes de falar dos erros, precisamos falar da regra número um.
Leia a etiqueta.
No Brasil, as informações de conservação dos produtos têxteis devem seguir uma sequência definida pelo Inmetro: lavagem, alvejamento, secagem, passadoria e cuidado têxtil profissional.
Essas informações podem aparecer por meio de símbolos, textos ou ambos.
Você não precisa decorar todos os símbolos.
Mas precisa saber que eles existem e entender que não são meramente decorativos.
Uma peça pode indicar, por exemplo, que determinado tipo de lavagem não é permitido.
Outra pode indicar restrições para alvejamento.
Outra pode exigir uma temperatura específica.
Outra pode recomendar cuidado profissional.
A etiqueta é a primeira referência.
Se você ignorá-la, estará começando a lavagem no escuro.
Erro 1: colocar todas as roupas juntas na máquina
Esse é provavelmente um dos erros mais comuns.
A pessoa abre o cesto de roupa suja e pensa:
“Vou colocar tudo de uma vez para terminar logo.”
O problema é que roupas diferentes podem exigir tratamentos diferentes.
Uma toalha pesada não se comporta da mesma maneira que uma blusa delicada.
Um jeans não precisa necessariamente do mesmo tratamento que uma peça de viscose.
Uma camiseta branca não deveria ser tratada exatamente como uma roupa preta.
Uma lingerie não deveria disputar espaço na máquina com peças pesadas e cheias de zíperes.
Como melhorar
Separe as roupas de maneira prática.
Você pode começar com:
brancas e muito claras;
coloridas;
escuras;
delicadas;
pesadas ou volumosas.
Não precisa transformar a lavanderia em um laboratório.
O objetivo é evitar combinações que aumentem desnecessariamente o risco de transferência de cor, atrito ou danos.
Erro 2: acreditar que quanto mais sabão, mais limpa a roupa ficará
É tentador pensar que colocar bastante produto significa uma lavagem mais eficiente.
Mas não é assim que funciona.
Mais produto não significa automaticamente mais limpeza.
O excesso pode dificultar o enxágue e deixar resíduos, especialmente quando a quantidade usada não é adequada para a máquina, para o volume de roupas ou para o produto utilizado.
Por isso, siga a dosagem indicada pelo fabricante do produto.
Se a embalagem recomenda determinada quantidade, não transforme a tampa do sabão em um copo de medida improvisado.
E o amaciante?
O amaciante também deve ser utilizado conforme as instruções do fabricante e considerando o tipo de peça.
Não existe necessidade de usar o produto em absolutamente todas as roupas.
Algumas pessoas também preferem não utilizá-lo em determinadas peças por questões relacionadas ao desempenho do tecido.
O mais importante é evitar a ideia de que cada lavagem precisa de uma grande quantidade de produtos.
Limpeza eficiente não é sinônimo de excesso.
Erro 3: usar água quente sem verificar se a peça permite
A água quente pode ser útil em algumas situações, mas não deve ser tratada como padrão para todas as roupas.
O calor pode afetar determinados tecidos, acabamentos, elásticos, estampas e estruturas.
Por isso, antes de escolher uma temperatura elevada, consulte a etiqueta.
O Inmetro estabelece que as orientações de conservação devem indicar os tratamentos adequados para cada produto têxtil.
Para a rotina
Se você costuma lavar a maior parte das suas roupas em água fria ou em temperaturas baixas adequadas ao produto, não precisa imaginar que uma lavagem mais quente necessariamente deixará tudo melhor.
A regra é simples:
a temperatura deve respeitar a peça.
Não escolha o programa apenas porque ele parece mais potente.
Erro 4: ignorar o tipo de tecido
Essa é uma das razões pelas quais conhecer um pouco de tecido pode ajudar tanto na vida cotidiana.
Você não precisa ser especialista em fibras.
Mas saber identificar alguns materiais já faz diferença.
Algumas roupas são feitas de algodão.
Outras podem ter viscose.
Outras podem conter poliéster.
Outras têm elastano.
Muitas são misturas.
E cada composição pode apresentar características diferentes de comportamento, conforto, resistência e manutenção.
O próprio Inmetro determina que a composição das fibras ou filamentos têxteis e seus percentuais em massa sejam informados nos produtos têxteis comercializados no Brasil.
Isso significa que você tem uma informação importante à sua disposição.
Use-a.
Um hábito simples
Quando comprar uma roupa nova, observe:
composição + etiqueta de conservação.
Essas duas informações juntas ajudam a entender melhor como cuidar da peça.
Erro 5: não virar as roupas do avesso
Virar algumas roupas do avesso antes da lavagem pode ajudar a reduzir o contato direto da parte externa com a fricção durante o processo.
Isso pode ser especialmente útil para peças com:
estampas;
bordados;
aplicações;
cores intensas;
acabamentos delicados.
Também é uma maneira simples de reduzir a exposição da superfície externa da roupa ao atrito.
E o jeans?
Virar o jeans do avesso antes da lavagem é uma prática bastante utilizada para ajudar a preservar a aparência externa da peça.
Mas isso não significa que todo jeans precise ser lavado exatamente da mesma maneira.
Mais uma vez, a etiqueta vem primeiro.
Erro 6: fechar zíperes e deixar botões de qualquer jeito
Roupas com zíperes, botões, ganchos e outros elementos podem aumentar o atrito durante a lavagem.
Um zíper aberto pode entrar em contato com outras peças.
Ganchos podem prender tecidos delicados.
Botões podem exercer tensão sobre determinada área.
Por isso, vale dedicar alguns segundos à preparação.
Antes de colocar na máquina
Confira:
zíperes;
ganchos;
velcros;
cordões;
bolsos.
Feche o que fizer sentido fechar e proteja peças particularmente delicadas quando necessário.
Esse pequeno cuidado pode evitar problemas que só apareceriam depois da lavagem.
Erro 7: encher demais a máquina
Esse erro é muito comum porque existe uma vontade natural de “aproveitar o espaço”.
Mas máquina cheia demais não significa necessariamente lavagem mais eficiente.
Quando existe excesso de roupa, as peças podem ter menos espaço para se movimentar adequadamente.
Além disso, o peso da carga pode ultrapassar o que o equipamento ou o programa selecionado comporta.
Pense em equilíbrio
Não precisa deixar o tambor quase vazio.
Mas também não tente comprimir uma quantidade enorme de roupas só para economizar uma lavagem.
O objetivo é encontrar uma carga compatível com a capacidade da máquina e com o programa escolhido.
E existe outro detalhe:
roupas pesadas absorvem bastante água.
Toalhas, jeans e peças volumosas podem alterar bastante o peso da carga.
Erro 8: lavar roupas delicadas como se fossem roupas comuns
Uma blusa delicada pode ter uma aparência resistente.
Até você colocá-la na máquina junto com jeans, toalhas e outras peças pesadas.
Peças com:
renda;
bordados;
aplicações;
tecidos muito finos;
elastano;
detalhes estruturais;
podem precisar de cuidados diferentes.
O que fazer?
Comece pela etiqueta.
Depois avalie a necessidade de utilizar um ciclo mais delicado ou lavagem manual, quando indicado.
Sacos próprios para lavagem também podem ser úteis para determinadas peças, porque ajudam a reduzir o contato direto com outras roupas.
Mas eles não substituem a orientação da etiqueta.
Erro 9: colocar uma roupa manchada diretamente em um ciclo longo e agressivo
Quando uma peça está manchada, muita gente pensa:
“Vou colocar no ciclo mais forte e deixar a máquina resolver.”
Nem sempre é a melhor estratégia.
O tratamento depende da mancha, do tecido e das instruções de conservação.
Além disso, quanto mais tempo uma substância permanece no tecido, maior pode ser a dificuldade de removê-la.
O melhor caminho
Se ocorrer uma mancha, tente agir de acordo com o tipo de sujeira e respeitando o tecido.
Evite sair aplicando produtos aleatórios.
E nunca suponha que um produto forte será necessariamente melhor.
O uso de produtos para lavagem e tratamento de roupas deve considerar sua finalidade e as orientações do fabricante. A Anvisa inclui sabões, detergentes, alvejantes e amaciantes entre os produtos saneantes utilizados no processamento de roupas.
O próximo artigo desta série será justamente dedicado às manchas.
Erro 10: acreditar que toda roupa precisa ser lavada depois de um único uso
Esse é um erro interessante porque parece uma questão de higiene, mas muitas vezes é uma questão de hábito.
Nem toda peça precisa necessariamente passar pela máquina depois de poucas horas de uso.
É claro que roupas íntimas, peças muito suadas, roupas usadas durante atividades físicas e peças com sujeira visível exigem cuidados diferentes.
Mas algumas roupas externas podem, dependendo do uso, ser ventiladas e avaliadas antes de decidir pela próxima lavagem.
Por que isso importa?
Porque lavar também desgasta.
Se você usa uma peça por pouco tempo, ela permanece limpa, sem odor e sem sujeira perceptível, talvez seja possível utilizá-la novamente, de acordo com o tipo de roupa e sua rotina.
Isso pode significar menos lavagens ao longo do tempo.
E menos lavagens podem ajudar a preservar determinadas peças.
O problema de lavar por hábito
Imagine uma mulher que usa um blazer por três horas em um ambiente fechado.
Ela não suou.
Não houve manchas.
Não houve contato com sujeira.
Mesmo assim, coloca o blazer imediatamente para lavar.
Agora imagine outra mulher que, ao chegar em casa, verifica a peça, deixa-a arejar e guarda adequadamente.
As duas estão cuidando das roupas.
Mas a segunda está avaliando a necessidade real de lavagem.
Essa mudança de pensamento é importante para quem quer prolongar a vida útil do guarda-roupa.
O que significa “lavar menos”?
Não significa usar roupa suja.
Significa lavar quando necessário.
São coisas diferentes.
Uma peça com suor, manchas ou sujeira deve receber o tratamento adequado.
Uma peça que foi usada rapidamente e permanece limpa pode não precisar do mesmo processo.
O objetivo é evitar a lavagem automática sem análise.
Roupas pretas: alguns cuidados extras
O preto pode perder intensidade ao longo do tempo.
Parte desse processo pode acontecer naturalmente pelo uso e pelas lavagens.
Alguns cuidados podem ajudar a preservar a aparência:
lavar pelo avesso;
evitar exposição desnecessária a processos agressivos;
separar de peças que possam soltar fibras;
seguir a temperatura indicada;
não exagerar no produto.
Mas não existe uma fórmula mágica capaz de manter uma peça preta exatamente como no primeiro dia para sempre.
O desgaste faz parte da vida útil da roupa.
A questão é evitar acelerar esse processo sem necessidade.
Roupas brancas: cuidado não significa usar produtos fortes indiscriminadamente
Quando uma roupa branca começa a perder a aparência original, a primeira vontade pode ser recorrer imediatamente a produtos mais agressivos.
Mas isso deve ser feito com cuidado.
Nem todo tecido branco deve receber qualquer produto.
A etiqueta é novamente a referência.
O processo de alvejamento é um dos tratamentos que precisam ser indicados nas informações de conservação do produto têxtil.
Se houver um símbolo indicando restrição ou proibição, respeite-o.
Uma roupa branca danificada por um tratamento inadequado não ficará mais limpa.
Ficará apenas danificada.
Cuidado com a ideia de “desinfetar tudo”
Existe uma tendência de imaginar que toda roupa precisa passar por um processo extremamente agressivo para ficar realmente limpa.
Isso não é necessário para todas as situações.
Produtos com ação sanitizante ou desinfetante para tecidos e roupas têm finalidades específicas e são regulamentados como saneantes.
Para a rotina doméstica comum, o mais importante é utilizar produtos adequados à finalidade e seguir as instruções do fabricante.
Não transforme uma lavagem comum em um processo químico desnecessariamente agressivo.
E o famoso “sabão em excesso”?
Vamos reforçar porque esse erro é muito comum.
Mais sabão não significa:
mais limpeza;
mais perfume;
mais proteção;
mais higiene.
A quantidade adequada depende do produto, da máquina, da carga e das orientações da embalagem.
Se você sempre coloca uma quantidade maior porque acredita que a roupa ficará mais limpa, vale rever esse hábito.
Além de desperdiçar produto, o excesso pode dificultar o enxágue.
Como preparar uma roupa antes de lavar
Você pode criar uma pequena rotina de menos de um minuto.
Antes de colocar a peça na máquina:
verifique os bolsos;
leia a etiqueta quando tiver dúvida;
feche zíperes quando apropriado;
prenda ganchos;
vire do avesso quando fizer sentido;
separe por cor e tipo de tecido;
trate manchas conforme o caso;
não ultrapasse a capacidade da máquina.
Parece pouco.
Mas são esses pequenos hábitos que fazem diferença ao longo de dezenas de lavagens.
Uma rotina simples para mulheres que não querem complicar
Você não precisa separar quinze categorias diferentes.
Uma rotina prática pode funcionar assim:
Cesto 1: roupas claras
Brancos e tons muito claros.
Cesto 2: roupas coloridas
Cores médias e vivas.
Cesto 3: roupas escuras
Pretos, marinhos, cinzas escuros e semelhantes.
Separado
Peças delicadas, roupas que exigem tratamento especial e peças que pedem lavagem específica.
A partir daí, você verifica a etiqueta e escolhe o programa adequado.
Simples.
Funcional.
E muito mais fácil de manter.
Como escolher o programa da máquina
Não escolha automaticamente o programa mais longo ou mais intenso.
Observe o tipo de roupa.
Programas diferentes existem justamente porque as necessidades são diferentes.
Dependendo do equipamento, podem existir ciclos para:
roupas delicadas;
algodão;
roupas pesadas;
rápido;
roupas esportivas;
roupas de cama;
entre outros.
Use o programa compatível com a carga.
E, principalmente, consulte o manual da sua máquina.
A configuração exata varia de equipamento para equipamento.
Uma roupa cara não merece necessariamente mais cuidado do que uma roupa barata
Esse pensamento também precisa mudar.
Uma camiseta de R$ 50 pode ter enorme valor para você.
Se ela veste bem, combina com tudo e é usada constantemente, vale cuidar dela.
Uma blusa de R$ 400 que fica esquecida no armário pode ter menos importância prática.
O cuidado deve acompanhar a peça e sua utilização, não apenas o preço da etiqueta.
O cuidado começa na compra
Essa é uma conexão importante com os artigos anteriores.
Quando comprar uma roupa, não olhe apenas:
preço;
cor;
modelo;
tamanho.
Observe também:
composição;
instruções de lavagem;
secagem;
passadoria;
necessidade de lavagem profissional.
O Inmetro estabelece que essas informações de conservação sejam apresentadas de forma permanente, visível e em língua portuguesa nos produtos têxteis abrangidos pela regulamentação.
Isso significa que você pode descobrir antes da compra se determinada roupa exige um tipo de cuidado que não combina com sua rotina.
Pense nisso antes de comprar
Você encontrou uma blusa maravilhosa.
Mas ela exige cuidados que você sabe que provavelmente não vai conseguir seguir.
Talvez ela não seja uma boa compra para você.
Não porque a peça seja ruim.
Mas porque uma roupa precisa caber na sua vida, inclusive na hora de cuidar dela.
A roupa que exige muito cuidado pode custar mais do que parece
Imagine uma peça barata que precisa constantemente de cuidados específicos, lavagem profissional ou manutenção complicada.
O preço de compra pode ser baixo.
Mas o custo de manutenção pode ser maior.
Por isso, quando comparar duas peças, pense também:
Quanto trabalho essa roupa vai me dar?
Uma peça um pouco mais cara, mas fácil de cuidar e muito utilizada, pode fazer mais sentido para sua rotina.
O que fazer quando a etiqueta parece confusa?
Não corte a etiqueta antes de entender as instruções.
Se os símbolos parecerem confusos, pesquise o significado antes da primeira lavagem.
A informação de conservação segue uma norma específica e deve respeitar a sequência estabelecida pelo Inmetro: lavagem, alvejamento, secagem, passadoria e cuidado têxtil profissional.
Também vale consultar as informações fornecidas pela própria marca.
Guardar uma foto da etiqueta antes de cortar também pode ser uma boa prática para peças que você conhece pouco.
E quando a roupa diz “lavagem profissional”?
Não tente substituir automaticamente o processo recomendado por uma lavagem doméstica mais agressiva.
Se a etiqueta indicar cuidado têxtil profissional, leve essa orientação a sério.
A própria regulamentação do Inmetro contempla cuidados profissionais entre as informações de conservação.
Isso é especialmente importante para peças estruturadas, determinados casacos, ternos, alguns vestidos e roupas com materiais ou acabamentos específicos.
O que fazer com roupas que soltam muita tinta?
Algumas peças novas podem liberar excesso de cor durante as primeiras lavagens.
Por isso, uma roupa colorida nova merece atenção.
Evite misturá-la imediatamente com peças claras sem antes considerar a possibilidade de transferência de cor.
Se houver dúvida, faça a primeira lavagem seguindo a orientação da etiqueta e, quando apropriado, separadamente.
Uma única peça que transfere tinta pode transformar uma lavagem inteira em um problema.
E se a roupa começar a formar bolinhas?
As chamadas bolinhas ou pilling podem surgir por atrito.
O fenômeno depende de diversos fatores, incluindo características das fibras, construção do tecido e uso.
A lavagem pode contribuir para o atrito, especialmente quando a peça é colocada junto com roupas mais ásperas.
Por isso:
vire a peça do avesso;
evite misturar peças delicadas com roupas muito pesadas;
use ciclos adequados;
não sobrecarregue a máquina.
Se a peça já apresentar bolinhas, existem aparelhos próprios para removê-las, mas é importante utilizar qualquer ferramenta com cuidado para não danificar o tecido.
A máquina também precisa de cuidados
Não adianta cuidar perfeitamente das roupas e esquecer a máquina.
Resíduos de produtos, sujeira e umidade podem se acumular no equipamento.
Por isso, siga as orientações do fabricante da sua máquina para limpeza e manutenção.
Deixe compartimentos e áreas indicadas secarem adequadamente quando necessário.
Mantenha a máquina em boas condições.
Isso também faz parte do cuidado com as roupas.
O método dos cinco minutos antes da lavagem
Se você quiser transformar tudo isso em um hábito simples, experimente fazer uma preparação rápida.
Antes de iniciar a máquina, reserve alguns minutos para:
1. Separar as cores.
2. Conferir etiquetas especiais.
3. Esvaziar bolsos.
4. Fechar ou proteger peças que precisam.
5. Conferir se existe alguma mancha.
Pronto.
Não precisa transformar a lavanderia em um projeto enorme.
A ideia é apenas parar de tratar todas as roupas como se fossem iguais.
Checklist: antes de apertar o botão da máquina
Use este checklist sempre que tiver dúvida:
Separei roupas claras, coloridas e escuras?
Conferi as peças delicadas?
Olhei as etiquetas?
Verifiquei os bolsos?
Fechei zíperes e ganchos quando necessário?
Virei do avesso as peças que precisam?
Existe alguma mancha que merece tratamento antes?
A máquina não está excessivamente cheia?
Estou usando a quantidade indicada de produto?
O programa escolhido é adequado à carga?
Se tudo estiver certo, pode iniciar.
O que muda quando você começa a lavar melhor?
Talvez você perceba que suas roupas não ficam magicamente novas.
Isso não acontece.
Roupas envelhecem.
Tecidos sofrem desgaste.
Cores mudam.
Elásticos perdem desempenho.
Algumas peças simplesmente chegam ao fim da vida útil.
O objetivo não é impedir completamente o envelhecimento.
É evitar desgaste desnecessário.
Essa diferença é importante.
Cuidar bem não significa preservar uma roupa para sempre.
Significa dar a ela uma chance justa de durar o máximo possível dentro das suas características.
Cuidar da roupa também é economizar
Imagine que você compra uma camiseta por R$ 70 e consegue utilizá-la durante três anos.
Agora imagine outra camiseta de R$ 70 que perde a forma rapidamente e precisa ser substituída várias vezes.
O preço inicial é o mesmo.
O resultado financeiro não é.
Quando você aprende a cuidar das suas roupas, começa a perceber que sustentabilidade não está apenas na hora de comprar.
Está também na manutenção.
Na lavagem.
Na secagem.
No armazenamento.
No reparo.
Na decisão de continuar usando.
Menos descarte começa com mais cuidado
Uma roupa que continua bonita, confortável e funcional tem mais chances de permanecer no seu guarda-roupa.
E quanto mais tempo você consegue utilizar aquilo que já comprou, menos frequentemente precisa substituir peças.
Isso não significa que todo descarte possa ser evitado.
Significa apenas que uma parte do problema pode começar dentro de casa.
Na lavanderia.
No simples ato de olhar uma etiqueta antes de apertar o botão.
Conclusão
Lavar roupa não precisa ser complicado.
Mas também não deveria ser automático.
A roupa que você compra tem uma composição.
Tem uma construção.
Tem um modo de conservação.
E tem uma vida útil que pode ser influenciada, entre outras coisas, pela maneira como você cuida dela.
Os dez erros mais comuns que vimos são:
1. Colocar todas as roupas juntas.
2. Usar sabão em excesso.
3. Usar água quente sem verificar a etiqueta.
4. Ignorar o tipo de tecido.
5. Não virar determinadas peças do avesso.
6. Ignorar zíperes, botões e outros elementos.
7. Sobrecarregar a máquina.
8. Tratar peças delicadas como roupas comuns.
9. Tentar resolver manchas apenas com ciclos agressivos.
10. Lavar automaticamente toda roupa depois de um único uso.
Nenhuma dessas mudanças exige que você compre equipamentos caros.
Você não precisa de uma lavanderia sofisticada.
Precisa de atenção.
Precisa conhecer melhor suas roupas.
E precisa abandonar a ideia de que todas elas devem receber exatamente o mesmo tratamento.
Porque cuidar bem do guarda-roupa não significa apenas mantê-lo bonito.
Significa fazer o dinheiro gasto nele render mais.
Significa usar mais aquilo que você já possui.
Significa evitar substituições desnecessárias.
E significa perceber que sustentabilidade pode começar de uma maneira muito simples:
cuidando melhor da roupa que já está no seu armário.
Fontes e referências
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia — Inmetro. Informações obrigatórias em produtos têxteis, incluindo composição e tratamentos de cuidado para conservação.
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia — Inmetro. Orientações sobre os tratamentos de cuidado, incluindo lavagem, alvejamento, secagem, passadoria e cuidado têxtil profissional.
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia — Inmetro. Cartilha sobre produtos têxteis e informações de conservação.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa. Informações sobre produtos saneantes utilizados no processamento de roupas.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa. Regulamentação de produtos sanitizantes e desinfetantes destinados a tecidos e roupas.
As orientações deste artigo são de caráter informativo. Para cada peça, devem prevalecer as instruções específicas apresentadas pelo fabricante na etiqueta e as recomendações dos fabricantes dos produtos utilizados na lavagem.

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